Minicursos

APORTES PARA PENSAR A INFLUÊNCIA DO MOVIMENTO NEGRO NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA DO SÉCULO XX

  • Minicurso
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Este minicurso tem como objetivo provocar a discussão sobre como o movimento negro interferiu e interfere nos processos educacionais brasileiros no século XX, seja ele como mediador ou como construtor da comunidade negra. Para isso, considera-se a perspectiva do mesmo ser um espaço de organização da sociedade civil. Desse modo, é fundamental entendê-lo em uma especificidade histórica de um movimento social com cunho racial, sendo ator e produtor de conhecimento e de diversas “educações”, tal qual aponta Boaventura de Sousa Santos no prefácio do livro O Movimento Negro Educador de Nilma Lino Gomes:“O Movimento é educador porque gera conhecimento novo, que não só alimenta as lutas e constitui novos atores políticos, como contribui para que a sociedade em geral se dote de outros conhecimentos que a enriqueçam no seu conjunto.” (SANTOS: 2017,10). Nesta atividade apontamos a opção epistemológica de escolher o Movimento Negro como centro da análise de um projeto de “educações” por entendermos sua potência e caráter emancipatório que está internalizado na instituição. Reconhecer esta pujança é de suma importância para historicizar a luta antirracista na educação, validando o conhecimento que emerge das lutas sociais que quase sempre são marginalizados pelas discussões acadêmicas. É importante dar visibilidade às ações educacionais produzidas pelo Movimento Negro que normalmente não estão institucionalizadas em espaços escolares ou pelo poder público, porém provocam mudanças na maneira de entender a educação. A metodologia para o minicurso será organizada através de exposição oral dialógica com a apresentação de textos e fontes para assim pensarmos duas questões:

- Contextualizar as intervenções dos movimentos Negros durante o século XX na Educação Brasileira, e

- Definir conceitos como: movimento negro educador, movimentos sociais e políticas de Estado no contexto da história da educação do século XX.


Datas e horários
Envolvidos
Jane Santos da Silva

Ministrante


IMPRENSA PERIÓDICA COMO FONTE E/OU OBJETO PARA A PESQUISA EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO:

  • Minicurso
  • Gratuito
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Este minicurso visa a discutir proposições teórico-metodológicas referentes à operação historiográfica com a imprensa periódica, seja esta de circulação geral ou pedagógica, entendida como fonte e/ou objeto para a pesquisa em História da Educação, temática emergente nos últimos anos. Por imprensa periódica, considera-se o gênero editorial representado, sobretudo, por jornais e revistas impressos, os quais tem se tornado uma fonte privilegiada para estudos e pesquisas sobre a História da Educação em seus vários aspectos, incluindo-se aí as práticas, apropriações e representações vivenciadas e/ou promovidas pelos diversos agentes e instituições escolares ou educacionais. Não obstante, o foco precípuo deste minicurso são as revistas como fonte e/ou objeto de/para a pesquisa em História da Educação, dada sua especificidade e a experiência acumulada pelo proponente no trabalho com essa tipologia de impressos. Para tanto, parte-se da vertente interpretativa da Nova História Cultural, que possibilita ao historiador da educação recorrer a novas categorias de fontes e objetos de estudo, dentre estes, a imprensa periódica. Assim, o objetivo é discutir, com os participantes, as possibilidades e limites do uso de revistas como fonte e/ou objeto nas investigações histórico-educacionais, bem como apresentar, didaticamente, estratégias e práticas adotados pelos pesquisadores para operar com essa fonte, apresentando nomenclaturas peculiares desse gênero editorial, suas características gráficas e materiais, formas de análise e de manipulação do impresso, além de sugestões teórico-práticas para organização de corpus documental constituído por revistas e composição de seu ciclo de vida. Quanto à metodologia de realização deste minicurso, espera-se desenvolver uma exposição interativo-dialógica, por meio de slides, com os participantes, com apresentação da temática, dos conceitos e perspectivas de trabalho com impressos periódicos, diferenciando-se, sobretudo, o uso das revistas apenas como fonte ou, então, como fonte e objeto de pesquisas em História da Educação, sob a égide da Nova História Cultural, avançando-se nos modos de se fazer e conceber a operação historiográfica com tais impressos. Os recursos a serem utilizados são projetor data show, acoplado a computador, e telão ou local para projeção, além de exemplares diversos de revistas, que poderão, inclusive, serem levadas pelos próprios participantes, a partir de contatos realizados antes da realização do evento. Com tal formato, espera-se que o minicurso seja um espaço-tempo formativo, subsidiando pesquisadores interessados no uso de revistas em suas investigações histórico-educacionais com repertório conceitual e bibliográfico sobre o tema, além de explicitação do modus operandi a ser empregado na operação historiográfica com os impressos periódicos. 

Datas e horários
Envolvidos
Giovani Ferreira Bezerra

Ministrante


O QUE A HISTÓRIA TEM PARA NOS ENSINAR SOBRE DIÁLOGO E RESPONSABILIDADE ÉTICA? DAS RELAÇÕES EDUCATIVAS DO INTER- HUMANO AO SOCIAL

  • Minicurso
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A seguinte proposição de minicurso tem como principal objetivo a promoção de estudos e reflexão acerca de algumas das matrizes de pensamento do século XX que contribuíram para uma reflexão sobre a ética e sua relação com os processos socioeducacionais. Sobretudo, pela preocupação de se tomar como necessidade a compreensão dos processos interpessoais, institucionais e sociais que engendram a violência tanto em desfavor dos seres humanos como contra a natureza, os quais vemos historicamente sendo praticados na Amazônia. Acreditamos se fazer urgente, pensar esses processos de violência a partir das interseções entre a sociologia e a ética de maneira a provocar um exercício hermenêutico desses processos com um duplo movimento: de transcendência dos mesmos e de retorno para compreendê-los. Em especial será abordado as questões do diálogo e da responsabilidade presentes na relação ética entre os homens, e destes com Deus e com a natureza. Sob este viés o mal (a violência) se apresenta como a negação do Outro, como ausência do olhar e da escuta. Como ocorrem essas experiências em meio à violência? Há uma experiência do bem que subjaz e resiste ao mal?

Nesta discussão trabalharemos em especial com Martin Buber, Gabriel Marcel, Paul Ricoeur, Emmanuel Levinas e Hanna Arendt buscando fazer um percurso do nível do inter-humano até o nível do social e, ao mesmo tempo, abordando a crítica desses pensadores à modernidade. Inicialmente, nos propomos a um diálogo prévio sobre tais indagações e fazer a escuta dos participantes quanto ao entendimento dessas categorias que serão caras a nossa abordagem – Diálogo, ética, Alteridade, Mal, e experiências que se façam fronts de contenção ao mal. Acolher essas primeiras compreensões faz-se importante para podermos confrontá-las com as proposições dos autores em destaque. Em um segundo momento a exibição do documentário “Arquitetura do Mal”, seguida da vivência de uma roda de conversa, fomentada por excertos das obras a serem trabalhadas, discutidas em grupo e socializadas não só a partir de uma compreensão teórica, mas da relação com nossa experiência no mundo, que a proposição coloca em evidência, o que nos permitirá elaborações acerca não só das condições éticas necessárias ao reconhecimento do mal nascente nos entremeios sociais, como poderemos a partir de então inferir sobre processos educacionais mais amplos e supra escolares, que visem a superação das condições de produção e fortalecimento do mal, por iniciativas que sejam firmemente calcadas no diálogo, na alteridade, na não-violência e impreterivelmente no atributo ético da responsabilidade e do reconhecimento.

Datas e horários
Envolvidos
Livia Sousa da Silva

Ministrante


A EDUCAÇÃO PARA UM MUNDO DEMOCRÁTICO NO PENSAMENTO DE CARNEIRO LEÃO: IDENTIFICANDO COM QUEM DIALOGAVA ESSE INTELECTUAL BRASILEIRO DA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX

  • Minicurso
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Inspirado pelo historiador inglês Quentin Skinner, este minicurso visa a fazer um exame sinóptico da obra  A educação para um mundo democrático, de Carneiro Leão, publicada em 1945 e iniciar a criação de um índice que identifique a construção do seu pensamento liberal, incentivando-se, por esse movimento de análise, olhares e pesquisas que permitam perceber as dinâmicas implícitas e explícitas  presentes nas concepções desse intelectual brasileiro bem como foram construídas

Datas e horários
Envolvidos
Aluísio Alves

Ministrante


AS FONTES DOCUMENTAIS E A PESQUISA EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO: o uso e relação com as fontes

  • Minicurso
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Esta proposta de minicurso objetiva discutir a importância, identificação, características e natureza das fontes documentais para a pesquisa em educação, bem como, as relações que o pesquisador estabelece com os documentos no processo de produção do conhecimento. Temos como público alvo estudantes de graduação e pós-graduação que estejam desenvolvendo estudos ou elaborando projetos de pesquisa voltados à História da Educação. Considerando que as fontes constituem um dos importantes elementos da pesquisa, avaliamos ser oportuno que os participantes possam refletir teórica e metodologicamente sobre as fontes de investigação. Propomos como conteúdo: tipologia das fontes e seus pesos comprobatórios; uso e relação do pesquisador com as fontes. A carga horária (oito horas), será distribuída em dois dias consecutivos para um público de 30 pessoas. Visando uma melhor dinamicidade das discussões, adotaremos o método dialógico com vista a promover um debate entre os participantes, de modo que relacionem o conteúdo apresentado com as pesquisa que estão desenvolvendo ou pretendem desenvolver.

Datas e horários
Envolvidos
Maria José Lobato Rodrigues

Ministrante


EDUCAÇÃO PARA A PRIMEIRA INF NCIA NO AMAZONAS: JARDIM DE INF NCIA E CURSO PRELIMINAR

  • Minicurso
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  • Vagas: 0

A proposta do minicurso tem como interesse analisar as propostas educacionais, enquanto políticas colocadas no universo educacional e suas intermediações nas instituições escolares amazonenses, para a primeira infância no estado do Amazonas, na primeira metade do século XX, tendo como contraponto duas formas de ensino escolarizado: os jardins de infância e o curso preliminar. Os cursos preliminares no Amazonas e sua organização, conforme o Regulamento Geral da Instrução Pública de 1918 e 1926, foram criados dentro da estrutura dos grupos escolares como jardins de infância, em um nível anterior ao 1º ano do ensino elementar. Em 1930, os cursos preliminares, com os programas de ensino e, em sequência, com o Regulamento Geral da Instrução Pública de 1932, caracterizaram-se como alfabetizadores e, oficialmente, foram-lhes atribuídas especificidades diferenciadas dos jardins de infância, constituindo-se em outro modelo de educação para a primeira infância, em nível anterior ao 1º grau do ensino elementar, do curso primário amazonense. Diferente das experiências de São Paulo em que o curso preliminar pertenceu aos três primeiros anos do ensino primário, no Amazonas, essa denominação caminhou em conjunto com o jardim de infância e atendeu às crianças a partir de 4 anos de idade. O primeiro jardim de infância no Amazonas, no Instituto Benjamin Constant (1897), de característica pública, marca o atendimento à criança desvalida, do sexo feminino, em sistema de internato. Entretanto, na estrutura do ensino público amazonense, na primeira metade do século XX, o jardim de infância expandiu-se sendo colocado na organização do ensino primário amazonense, com atendimento às crianças a partir de 3 anos de idade. Apesar de o jardim de infância e o curso preliminar terem denominações diferenciadas, foram considerados sinônimos e depois tiveram suas características especificadas. O mini curso se propõe revelar as semelhanças e diferenças entre os jardins de infância e o curso preliminar frente à estruturação de ensino, atendimento, currículo, avaliação e locais de funcionamento. As diferenças entre o jardim de infância e o curso preliminar marcam as correspondências esperadas dos adultos em relação às crianças, assim como a organização das instituições infantis no Amazonas. As fontes de pesquisa amazonense que fundamentam esse mini curso encontram-se nos regulamentos do Instituto Benjamin Constant, nos regulamentos gerais de instrução pública, nas mensagens dos governadores e nos programas de ensino primário.

Datas e horários
Envolvidos
Persida Da Silva Ribeiro Miki

Ministrante


A ARTE DA RAZÃO: ANÍSIO TEIXEIRA E A DEMOCRATIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL (1924-1964)

  • Minicurso
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  • Vagas: 0

O minicurso tem como objetivo principal a análise da trajetória do intelectual Anísio Teixeira no campo da Educação. Uma atuação pautada pela construção, organização e democratização da escola pública ancorada pela pesquisa educacional e pelo planejamento sem, contudo, abrir mão do papel docente como elemento chave para a consecução da escola como espaço da racionalidade técnica em consonância com a criatividade pedagógica. Em outras palavras, a ciência e a arte de educar. Justifica-se a escolha de Anísio Teixeira para esta caminhada como possibilidade de examinar o seu pensamento e a ação numa tradução do potencial de gestão da educação pública numa perspectiva de comprometimento com planos e ações concretas. Mais do que isto, o minicurso busca captar as mudanças no pensamento pedagógico de Anísio num arco de tempo que vai de 1924 a 1964. Cabe salientar que o recorte temporal se assenta no primeiro e no último cargo público exercido pelo intelectual, a saber: 1924, Inspetor Geral de Ensino na Bahia e 1964, representante da Campanha de Aperfeiçoamento de Pessoal de nível Superior (CAPES) no Conselho de Educação Superior nas Repúblicas Americanas. Desta forma, os seguintes pontos são propostos como tópicos para a realização do minicurso: 1924-1969- Inspetor Geral de Ensino na Bahia; 1931- Diretor do Ensino Secundário do Ministério de Estado dos Negócios da Educação e Saúde Pública; 1931-1935 – Diretor-Geral de Instrução da prefeitura do Rio de Janeiro; 1947-1951 – Secretário de Educação, Cultura e Saúde Pública da Bahia; 1951-1964 – Secretário Geral da Campanha de Aperfeiçoamento de Pessoal de nível Superior (CAPES); 1952 – 1964- Diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP); 1955-1964 – Diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais; 1958-1964 – Membro do Comitê Executivo do Conselho de Educação Superior nas Repúblicas Americanas. Nesta última parte do minicurso avançamos numa instituição ainda não explorada pela historiografia da educação brasileira. O exame da participação de Anísio Teixeira no referido Conselho possibilita a compreensão do alargamento das fronteiras estabelecido pelo educador no sentido de pensar o ensino superior na América Latina em articulação com os intelectuais Juan Gómes Millas (Chile), Rodrigo Facio Brenes (Costa Rica), Risieri Frondizi (Argentina), dentre outros. Destaca-se esta instituição no minicurso pelo potencial de uma mudança radical na postura de Anísio face aos Estados Unidos: do encanto dos anos 1920 ao desencanto nos anos 1960. Por fim, a realização do minicurso oferece a possibilidade de reafirmar a necessidade de uma educação pública no âmbito de uma sociedade democrática.

Datas e horários
Envolvidos
Fernando César Ferreira Gouvêa

Ministrante


EDUCAÇÃO INTERGERACIONAL NA UFT-TOCANTINS

  • Minicurso
  • Gratuito
  • Carga Horária:
  • Vagas: 11

O minicurso pretende informar sobre os fundamentos da gerontologia com destaque para a política de atenção ao velho e à qualidade de vida intergeracional. Uma vez que a população de idosos, pessoas com 60 anos ou mais, cresceu 7,3 milhões entre 1980 e 2000, totalizando mais de 14,5 milhões em 2000. O Brasil, até 2025, será o sexto país em número de idosos, e com base na atenção ao velho, a Universidade da Maturidade, traz a educação intergeracional. O que pode uma geração ensinar à outra?  O que os idosos transmitem aos jovens? 1) a memória cultural e de valores éticos fundamentais, além de  conhecimentos práticos, habilidades aplicadas ao cotidiano. Transmitem sua história pessoal e a história da comunidade, permitindo aos jovens conhecerem suas origens e se enraizarem em sua própria cultura. Conhecendo seu passado, os jovens entendem melhor o seu presente e projetam seu futuro de modo mais realista e promissor. Segundo Ecléa Bosi (1987), uma educação para o envelhecimento é outro significativo conteúdo repassado ao jovem. O velho aparece como modelo a ser seguido ou evitado, dependendo de seu grau de sucesso em viver satisfatoriamente esse período da vida, de sua própria maneira de enfrentar as dificuldades dessa fase. Os jovens admiram os idosos que  buscam aprendizado em salas dotadas de microcomputadores franqueados ao público, com monitoria especializada. Esta capacitação ocorre na Universidade da Maturidade no Tocantins(UMA) onde temos várias unidades espalhadas pelos 7 campi da Universidade Federal do Tocantins ( UFT). De forma espontânea ou induzida pelos profissionais da instituição, os jovens mestrandos do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Educação da UFT têm dado aos idosos, orientações de como manejar o computador e de como navegar pela rede. Os idosos ficam felizes pelas novas descobertas e os jovens satisfeitos ao se sentirem importantes como professores. 2) uma educação para os novos tempos: a  geração mais jovem também transmite aos idosos valores e conhecimentos do mundo atual, uma flexibilidade de comportamentos sociais de acordo com os novos valores morais, ou seja, uma educação para os novos tempos, resultando em posicionamentos menos conservadores em relação a assuntos polêmicos, como sexo, drogas, etc. Portanto, o minicurso irá demonstrar como ocorre o trabalho da UMA na UFT/Tocantins e as relações geracionais nas dinâmicas sociais e/ou familiares de produção e transmissão do conhecimento. Dinâmicas educacionais constituidoras das relações geracionais, de classe, de gênero e/ou origem étnico-racial. Relações geracionais, corpo e educação

Datas e horários
Envolvidos
Neila Barbosa Osório

Ministrante


A COMISSÃO NACIONAL DE MORAL E CIVISMO: UMA INSTITUIÇÃO A SERVIÇO DA DITADURA

  • Minicurso
  • Gratuito
  • Carga Horária:
  • Vagas: 0

O objetivo desse minicurso é apresentar a trajetória da Comissão Nacional de Moral e Civismo (CNMC) apresentando a sequência de presidentes e suas ideias por meio de discursos e materiais didáticos por eles elaborados. A CNMC foi uma figuração criada no ano de 1969, período mais duro dos governos militares, com Médici. Sancionada no mesmo decreto que criou a Educação Moral e Cívica (EMC), teve a finalidade de fomentar conhecimentos sobre moralidade e civismo brasileiro nas escolas de todos os níveis e modalidades do país. Assim, seus presidentes foram formados ou realizaram cursos na Escola Superior de Guerra (ESG), importante celeiro de ideias dos governos militares durante a ditadura. As ideias por eles defendidas seriam, pois, ideias já bastante discutidas e fermentadas no seio da elite intelectual militar. Desse modo, todo o caminho percorrido pela CNMC esteve ligado ao que um grupo específico da sociedade pensava sobre aspectos de moral e de civismo. Seu primeiro presidente, Moacir de Araújo, foi também mentor e defensor da EMC no então Conselho Federal de Educação (CFE) e no Ministério da Educação e Cultura. Apesar de algumas resistências dentro do CFE, a EMC e a CNMC ganharam vida e poder em um momento que negar os acontecimentos era não apenas corriqueiro, mas necessário para a manutenção do regime. Gestada na Escola Superior de Guerra (ESG), onde frequentam militares de todas as forças armadas, além de civis, a CNMC controlava a educação brasileira em vários aspectos. O discurso utilizado era sempre o de preservação da moral e tradições brasileiras. Ao afirmar ser o Brasil um país cristão e democrático, deveria se opor ao avanço do comunismo, ditatorial e ateu. A simbiose entre as palavras e sua relação, promovendo quase uma indissociação entre ser cristão e ser democrático, bem como entre ser ateu e ser comunista e ditador, fomentou na sociedade brasileira a ideia de que o país vivia naquele período uma realidade diferente da que se afirmou na história posteriormente e tenta ser negada atualmente por essas parcelas da população, educadas em escolas com esse discurso. Portanto, a CNMC foi um dispositivo criado pela ditadura para atender aos interesses dela. Como resultado, há uma sequência de presidentes muito próximos da ESG, sendo a maioria deles militares das forças armadas. Quando a ditadura encontrou sinais de perda de força, a figuração criada por ela viu seu fim. Apesar do esforço em promover uma nova configuração, mais democrática e necessária para a educação brasileira na manutenção da moral e do objetivo em promover a unidade nacional.

Datas e horários
Envolvidos
Amanda Marques de Carvalho Gondim

Ministrante


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